Preferiria que as postagens de setembro de 2015 fossem mais agradáveis. Mas, a maioria foi uma sucessão de desabafos sobre parcelamentos, falta de incentivo e desvalorização da profissão. Uma das minhas falas, ao colocar uma imagem, foi que mesmo assim eu continuo na profissão. De lá pra cá não mudou muita coisa, os salários continuam parcelados e as escolas mais abandonadas. Não estou na mesma escola daquela época e apesar de a atual escola ser espaçosa, bem equipada e localizada em um bom bairro da capital, falta dinheiro para merenda, as salas precisam de manutenção, inclusive uma está interditada porque os morcegos tomaram conta. O cheiro é insuportável, principalmente quando faz calor. Mas, a direção não tem o que fazer, a não ser pedir auxílio a SEDUC, que nada faz. Só sabem responder que não há verba. Verba há, o que não há é vergonha na cara desses governantes. Entra e sai governo e é a mesma coisa. Vamos ver como vai ser o próximo.
E é por isso que não desisto, porque podemos fazer a diferença.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Oi pessoal,
Aprendi muito durante todo este tempo, mas com certeza um das mais significativas foi utilizar a tecnologia a favor das aulas. Retornando a uma das minhas postagens de setembro de 2015, pude relembrar da dificuldade que tive em criar o vídeo da minha apresentação pessoal. Depois inserir no blog foi um custo. Claro que ainda tenho muita coisa para descobrir, por exemplo, trabalhar com o Evernote, mas hoje já estou mais segura para experimentar. Criei com a turma do 5º ano um blog onde eles estão digitando os próprios textos. Agora as aulas são planejadas de forma que as crianças possam utilizar a sala de informática e a digital. Eles estão criando vídeos sobre os trabalhos que fazem em aula e algumas apresentações.
Outro ponto importante é que me dediquei mais a leitura dos textos recomendados e, por isso, minhas reflexões foram ficando cada vez mais embasadas e refletindo na minha prática. Um dia desses, fui questionada por uma mãe sobre a "minha" metodologia. Em outros tempos teria ficado apreensiva em responder, mas ao contrário disto, disse-lhe que acreditava no meu trabalho e que estaria à disposição da família caso quisesse maiores esclarecimentos sobre a minha prática pedagógica. O questionamento acabou aí. Então, lembrei do que uma colega disse em outra oportunidade: "- Por que ninguém entra no consultório de um médico, ou no escritório de advogado ou engenheiro, e lhe diz , quem sabe o senhor faz de outro jeito?" É, quem ousa discutir com alguém que cursou uma faculdade, afinal ele estudou para isto? A questão é quanto de valor nós nos damos, o quanto eu acredito no meu trabalho!
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Oi pessoal,
Agora percebo o quanto evoluí na escrita das minhas reflexões. As primeiras, em agosto de 2015, apesar de falar das experiências que tive naquele semestre, foram apenas registros muito superficiais. Passei aqueles semestres tentando me desculpar por não conseguir realizar todas as tarefas em dia. Meu grande vilão sempre foi o tempo. De certa forma não havia compreendido que precisava rever minhas prioridades.
Porém, uma coisa não mudou: continuo me questionando sobre a professora que sou. Como naquele tempo, hoje, acho que até mais do que "ontem", questiono as minhas posições, a minha prática e o meu desempenho. Sei que melhorei, porque aprendi muito como ser humano e profissional, mas a tentativa de ser melhor está sempre presente. Acredito que isto faça parte da profissão. É próprio do professor querer melhorar.
Estamos no final do semestre. Não consigo acreditar que no próximo semestre já estaremos no estágio obrigatório. Parece que foi ontem que iniciei a faculdade. Comecei, apenas, com a intenção de conseguir um diploma para poder mudar de nível na minha carreira no estado. Porém, hoje percebo o quanto aprendi, como profissional e pessoa.
Consegui, a cada interdisciplina, construir um pouco mais de conhecimento. Na EJA aprendi o quanto é importante fazer um diagnóstico dos conhecimentos pré-existentes com cada um dos alunos, considerar o que o educando traz de bagagem, pois nenhum ser humano, independente da idade, é uma tábua rasa. Para um bom planejamento preciso conhecer as intenções e objetivos dos sujeitos que se dispuseram, apesar de todas as dificuldades, retornar à escola. Alguns destes alunos foram excluídos das salas de aula porque tinham dificuldades. Outros foram obrigados a interromper os estudos para poder trabalhar e ajudar no sustento da família. Independente dos motivos é importante que se sintam seguros e incluídos nesta nova fase da vida.
Na interdisciplina de Linguagem e Educação revi alguns conceitos importantes de Piaget e Vigostky e conheci as ideias de Henri Wallon, que tratam do desenvolvimento e da linguagem. Também foi possível consolidar conhecimentos sobre consciência fonológica. Já em Didática, reforçaram-se os conhecimentos sobre o planejamento de atividades integradas e interdisciplinares, a importância do currículo integrado ficou evidenciada. Se a escolha do docente for trabalhar com a pedagogia de projetos, ou com centrosdeinteresse, ou ainda com os temas geradores, o importante é acreditar que a participação dos alunos é fundamental na construção deste planejamento e que avaliação deve ser diária, servindo como um instrumento para o professor rever sua prática pedagógica, quando necessário. Quanto ao Seminário Integrador, acredito que tenha desenvolvido um pouco mais a minha escrita acadêmica, mas ainda está longe do que gostaria. Tenho dificuldade em colocar citações, lembrar de autores e usar termos pertinentes à Educação. Minha escrita parece-me simples, pobre em detalhes. Mas, vamos em frente.
De todas as interdisciplinas, a que me entusiasmou mais neste semestre foi a ETIC. Através desta interdisciplina me arrisquei a construir, junto com a turma, um blog, que já ganhou até mesmo um nome: Blog Vida Escolar, indicado por uma aluna e escolhido por votação direta. Adorei algumas propostas inovadoras que conheci através dos vídeos que assisti. Estas propostas me inspiraram e me deram ânimo para tentar coisas novas e rever algumas com outros olhos.
Acredito que ser professor seja isso: aprender todos os dias, compartilhar ideias, inspirar pessoas, acreditar .
Uma das últimas atividades da interdisciplina de ETIC foi analisar o mapa conceitual abaixo. Devo dizer que senti dificuldade em realizar esta atividade. Entendi o mapa, mas formular o texto de forma que não parecesse uma cópia, ficou difícil. Na educação, as inovações são produzidas pela ação humana, transformadora do meio social. Essa ação reflete em toda sociedade, nas suas instituições e história. A transformação produz novas ações que resultam na ruptura com modelos tradicionais de ensino aprendizagem que fundamentam seus métodos na repetição, memorização e na padronização. As tecnologias são importantes nessas mudanças, mas não são determinantes. Ações pedagógicas eficientes e humanistas podem surgir, e devem, de ideias do cotidiano, da realidade dos educandos. As inovações levam à transformação na maneira como entender a construção do conhecimento, que se dá pelo próprio sujeito, auxiliado pelo professor, que entende sua prática como uma ação reflexiva e transformadora.
Abaixo informo links que nos foram disponibilizados para que conhecêssemos projetos
e atividades de experiências inovadoras na educação. São ótimas ideias que podem
servir de exemplo para educadores que querem inovar.
O assunto hoje é consciência fonológica, ou seja quando a criança está aprendendo a escrever e a ler, ela precisa entender primeiro que as letras possuem sons e que quando agrupadas formam sílabas, que consequentemente formam novos sons. É a relação entre letras e sons. Parece fácil, mas não é tão simples assim para uma criança de 6 ou 7 anos. Por isso o trabalho do professor é tão importante nessa etapa. Não se trata de escolher um método que sirva de base para o planejamento das aulas. É importante seguir uma proposta pedagógica, mas se meu aluno não consegue aprender de uma maneira, preciso reavaliar minha prática e procurar entender de que forma ele aprende. É necessário que planeje estratégias sistematizadas, mas partindo de uma prática contextualizada e significativa para o meu aluno.
Faz tempo que não trabalho com alfabetização, mas acredito que o papel do professor deva ser de mediador, em qualquer etapa da educação. Na fase em que a criança está aprendendo a ler e escrever, o educador deve observar como os alunos agem e estimular a curiosidade deles. Morais (2012) incentiva o trabalho com cantigas, parlendas e quadrinhas, pois este tipo de texto apresentam rimas e repetição de sons, o que facilita a aprendizagem da escrita das palavras contextualizadas. É importante é que a criança aprende de forma prazerosa e lúdica.
Na interdisciplina de Linguagem e Educação, tínhamos que sugerir uma atividade que auxilie na construção da consciência fonológica. Abaixo segue a minha proposta de trabalho com a música Sopa do grupo Palavra Cantada. Aliás, este grupo tem músicas ótimas para serem trabalhadas em aula com os pequeninos.
1ª Atividade: Depois de cantar e brincar com a
música, a letra da música será exposta em papel pardo na parede da sala. A
professora acompanhará a letra, mostrando onde estão as palavras que a turma
está cantando, dando ênfase às palavras que rimam (estão grifadas no texto
abaixo).
Sopa
O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem espinafre?
Será que tem tomate?
Será que tem feijão?
Será que tem agrião?
É um, é dois, é três...
O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem farinha?
Será que tem balinha!? (abobrinha)
Será que tem macarrão?
Será que tem caminhão?! (pão)
É um, é dois, é três...
O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem rabanete?
Será que tem sorvete!?
Será que tem berinjela?
Será que tem panela!? (mortadela)
É um, é dois, é três...
O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem mandioca?
Será que tem minhoca!?! (tapioca)
Será que tem jacaré!?!
Será que tem chulé!?!
É um, é dois, é três...
O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem alho-poró?
Será que tem sabão em pó?!
Será que tem repolho?
Será que tem piolho!?
É um, é dois, é três...
O que que tem na sopa do neném?
O que que tem na sopa do neném?
Será que tem caqui?
Será que tem javali?!
Será que tem palmito?
Será que tem pirulito!?
É um, é dois, é três...
A professora deve explorar os sons
finais das palavras que rimam. Primeiro oralmente, depois utilizando a escrita. Depois dos questionamentos,
as palavras que rimam devem ser colocadas em fichas grandes e fixadas no
quadro. Então, serão trabalhadas as letras finais e as sílabas de cada palavra. Além de outras palavras que surgirem através da participação das crianças. Serão escritas no quadro,
as palavras que as crianças sugerirem para rimar. Depois serão usadas para
colocar na música (fichas em papel pardo) no lugar das palavras originais.
Estas mesmas palavras serão usadas na 2ª atividade, em outro dia.
2ª
Atividade: Aspalavras da música e as que a turma
sugeriu serão usadas em “cartas” com desenhos e o seu par com o nome. As
crianças devem formar os pares, juntando a palavra ao desenho que tem o mesmo
som final.
3ª
Atividade: As letras das palavras das rimas serão
usadas para formar sílabas e estas formarão novas palavras.Pode-se trabalhar primeiro com o alfabeto móvel e depois com cartinhas com as sílabas. Como são muitas palavras usadas na música, será necessário várias cartinhas com outras sílabas, estas abaixo são só um exemplo.
Na aula de Didática debatemos sobre os temas geradores e a sua importância nas práticas pedagógicas. Paulo Freire sempre ressaltou que toda prática pedagógica deve nascer do diálogo, de uma comunicação real e autêntica, que nos proporcione ver o mundo sob a ótica do nosso interlocutor.
Os temas geradores nascem do diálogo, da investigação feita por professor e alunos para encontrar temas e palavras que tenham um sentido social. Ao professor cabe desafiar, inspirar, instigar o aluno para que ele busque a construção de seu conhecimento e tenha uma visão critica da sociedade em que está inserido.
Nas aulas sobre EJA percebi o quanto é importante desenvolvermos um planejamento a partir dos interesses dos alunos, assim eles conseguem fazer relações entre o que estão aprendendo na escola e seu cotidiano. O aprendizado se torna mais interessante, real e com sentido. Em um dos vídeos que assiste, vi o empenho da professora em trazer assuntos que os alunos dominassem, mas que ao mesmo tempo, complementavam o conhecimento que já tinham. Assim, eles não se sentiam inferiores por desconhecerem o assunto da aula, mas entendiam que sempre é possível aprender mais. Eles se envolveram nos trabalhos e discutiram o que fizeram. Este é um bom exemplo de que os temas geradores podem ser uma alternativa positiva na educação.